domingo, 8 de junho de 2008

O que falta?

Desperdício de água é impressionante

A escassez de água já está sendo considerada um dos maiores problemas da humanidade neste século. Por enquanto, porém - e apesar do alerta das autoridades e das organizações ligadas ao setor - a população parece não ter se dado conta desse fato e continua gastando água a torto e a direito. No Brasil, o desperdício chega a 70 % do total de água consumido, um índice que poderia ser alterado para melhor com uma simples mudança de hábitos.

Observem alguns dados estarrecedores que comprovam como se desperdiça água em nosso país.

* Segundo cálculos da Caenf, os friburguenses gastam mais de 400 litros de água por dia, o dobro do índice registrado numa grande capital, como São Paulo. Um estudo recente realizado pela USP garante que os paulistanos gastam, em média, 200 litros de água por dia.

* Quase a metade dos gastos de água numa residência - 47% - vem da descarga sanitaria. Cada vez que alguém usa a descarga gasta pelo menos 20 litros de água. Para diminuir o desperdício, diversos países europeus desenvolveram descargas com dois botões - um libera apenas cinco litros de água por vez e o outro, 15 litros. Com esta simples medida é possível obter uma grande economia de água no final do dia.

* Os shoppings, clubes, bares e restaurantes deveriam pensar em substituir torneiras convencionais por outras com fechamento automático. Esta medida representa uma economia de água de mais de 100%.

Todo cuidado é pouco com os vazamentos

* Uma torneira mal vedada que fica gotejando água desperdiça 46 litros de água a cada 24 horas, cerca de 1.360 litros por mês. A mesma quantidade que um ser humano necessita para suprir suas necessidades básicas diárias (OMS). Uma torneira com um fiozinho de água escorrendo dia e noite é responsável pela perda de 2.068 litros em 24 horas. é importante consertar o quanto antes torneiras e descargas que vazam, pois representam um grande desperdício no final do mês.

* Algumas vezes, porém, há vazamentos nos encanamentos, que podem levar meses até manifestar estragos nas paredes. é muito fácil descobrir se existe algum vazamento de água em sua casa ou escritório. Quando a caixa d'água estiver cheia, feche todas as torneiras e saídas de água e observe se o hidrômetro continua registrando alguma entrada de água. Se isso acontecer é porque há vazamento em algum ponto.

Diga não ao desperdício

Descarga sanitária

Aperte o botão de descarga apenas o tempo necessário e não jogue lixo na privada.

Torneiras

Uma torneira aberta gasta 12 a 20 litros por minuto. Portanto, todo cuidado é pouco para lavar mãos, rosto, louça, roupa, seja o que for.

Lavar louça

Quem lava louça com a torneira meio aberta gastam cerca de 243 litros de água em 15 minutos. é possível reduzir bastante este consumo, retirando os restos dos pratos e panelas com uma escovinha, colocando-os na pia e cobrindo de água; a seguir, ensaboe com a torneira fechada, só voltando a usar água novamente para enxagear.

Escovar dentes

Quem escova os dentes com a torneira aberta gasta de 12 a 25 litros de água sem a menor necessidade. Basta molhar a escova e fechar a torneira enquanto se escova os dentes, enxaguando a boca com um copo d'água. Com isso, é possível economizar 11,5 litros de água.

Banhos

Um banho consome de 95 a 180 litros de água. Precisamos nos acostumar a tomar banhos mais curtos. Se o registro estiver fechado enquanto nos ensaboamos, diminuindo o tempo de ducha aberta para cinco minutos, o consumo cai para 81 litros. Aqui no Brasil, ainda não chegamos a este ponto, mas há países em que os chuveiros contam com válvulas idênticas às de uma decarga sanitária, ou seja, um jato d'água para a pessoa se molhar e outro para se enxaguar. Tomar um banho com o chuveiro ligado o tempo todo (ainda) é privilégio de poucos!

Regar jardins e plantas

Para regar as plantas, gasta-se cerca de 186 litros de água. Cuidado!

Lavar calçadas

Muita gente ainda utiliza a mangueira como vassoura, desperdiçando um absurdo de água para lavar calçadas. Nos dias de hoje, deveria ser considerado um crime, a não ser que isso fosse feito com água de chuva acumulada num reservatório especial. O certo é utilizar vassoura e quando for, de fato, indispensável, apelar para um ou dois baldes de água, em vez de deixar a magueira aberta o tempo todo, gastando até 300 litros de água.

Lavar o automóvel

Para lavar carros, o certo é também utilizar baldes e não mangueiras. Uma magueira ligada o tempo todo durante a limpeza do automóvel consome até 600 litros de água. Com um balde no máximo 60 litros.

Piscinas

Atualmente, existem técnicas de limpeza e tratamento de água que se forem realizadas nos prazos de manutenção, dispensam por completo a realização de trocas de água. O perigo são as piscinas de plástico, algumas imensas e que têm sua água trocada quase todos os dias durante o verão. Vale lembrar que num metro cúbico de água temos mil litros. Assim, mesmo em piscinas pequenas a quantidade de água é muito grande, daí a preocupação.

Água do planeta está se esgotando

Brasil detém a maior riqueza hídrica na Terra

Não é alarmismo. A verdade nua e simples é que a capacidade da Terra de fornecer a água doce necessária à vida está se esgotando. A ONU calcula que dentro de 25 anos, 2,8 bilhões de pessoas viverão em regiões de seca crônica. As previsões dos ambientalistas apontam para um quadro de grande escassez de água no mundo no decorrer deste século.

Esta realidade já começa a ser percebida em muitos países, mas só agora o mundo está despertando para a necessidade de uma boa gestão dos mananciais de água. O Brasil possui entre 12 e 14% das reservas de água do mundo, o que coloca nosso país no centro de futuras disputas internacionais pela água. Hoje, o mundo inteiro está com os olhos voltados para o Brasil. Os países ditos desenvolvidos, que já arrasaram com as suas florestas, agora olham com cobiça para as nossas águas e as nossas matas.

Temos muita água, sim, mas a verdade é que 80% de nossos mananciais se concentram na Amazônia, onde vive apenas 5% da população do país. Restam 20% para abastecer 95% dos brasileiros. Apesar de sermos tão ricos em água, já começamos a sofrer com falta de água. A represa de Furnas trabalha hoje com 22,6% de sua capacidade - índice mais baixo de toda a história - o que pode levar, muito em breve, a um racionamento de energia elétrica nas regiões Sul e Sudeste.

Infelizmente, porém, a população ainda não está plenamente consciente da necessidade de economizar água, preservar nossos mananciais e controlar atividades poluidoras. Aqui no Brasil, o consumo diário de água por pessoa - em torno de 200 litros - dobrou nos últimos 20 anos e deve dobrar outra vez nas duas próximas décadas.

As guerras do século 21 serão por água

Segundo o Banco Mundial, em dez anos, 40% da população mundial não terão mais água suficiente para se sustentar. "As guerras do século 20 foram por petróleo. As do século 21 serão por água", previu o vice-presidente do BIRD para o desenvolvimento sustentado, Ismail Serageldin. Num relatório enviado ao Banco Mundial, o BIRD calcula que serão necessários US$ 800 bilhões de dólares em investimentos ao longo da próxima década, para evitar que o mundo sofra uma seca sem precedentes. Os recursos disponíveis até o momento não passam de 40 bilhões. A possibilidade de conflitos bélicos pelo controle dos recursos hídricos não é uma simples figura de retórica. Basta lembrar que cerca de 220 grandes reservas de água no mundo ficam em regiões de fronteira (dados da Unesco).

A Europa já acabou com as suas florestas e, em consequência disso, já não tem muita água. Em muitos países europeus, os chuveiros são dotados de botões semelhantes ao de descargas sanitárias. A pessoa aperta uma vez, toma uma chuveirada e se ensaboa; depois aperta uma segunda vez para tirar o sabão e ponto final. E tudo com água reciclada em estações de tratamento!

Planeta é coberto de água, mas só 2,5% é potável

Embora o planeta seja coberto de água, apenas 2,5% dela é doce e de fácil disponibilidade. A maior parte (97,3%) é mesmo de água salgada, que está nos oceanos. Outra parcela (2,34%) está congelada nos pólos, na forma de icebergs e geleiras ou localizadas em lençóis freáticos profundos, onde o custo da captação chegaria perto da extração do petróleo. Se a tecnologia permitisse alcançar os aqüíferos (água do subsolo) a um preço mais baixo, o estoque triplicaria. Uma outra forma de aumentar a produção seria a dessalinização da água do mar. Há dezenas de institutos de pesquisa investindo em projetos com esse objetivo, mas até hoje o procedimento é muito caro e inviável comercialmente. (Fonte: ONU)
Pesquisas da OMS (Organização Mundial da Saúde) comprovam que metade da população mundial - ou 3,4 bilhões de pessoas - é atingida ou ameaçada pela falta de água ou pelo consumo de água insalubre, que causa doenças como a malária, a disenteria, a cólera, o tifo e a esquistossomose, entre outras. Ainda de acordo com a OMS, há um bilhão de pessoas no mundo bebendo água não tratada e 24 bilhões vivendo sem as mínimas condições sanitárias.

Os problemas de água atingem hoje principalmente o Oriente Médio, o norte da áfrica, a ásia Central e a áfrica (região próxima ao deserto do Saara). Mas também há problemas na China Ocidental, no Oeste e Sul da índia, no Oeste da América Latina e em grandes regiões do Paquistão e do México. No Afeganistão e na índia, a secura é tanta que as pessoas lavam as mãos com areia; banho, quase não existe. No total, 26 países possuem menos de 1000 m de água potável por habitante/ano, o que coloca uma população de 255 milhões de pessoas à beira do colapso.

Números que fazem pensar...

* De cada 100 brasileiros, apenas 72 contam com sistema de abastecimento de água (OMS).

* Em Israel, um copinho de água está sendo vendido por quatro dólares!

* Aqui mesmo no Brasil, um litro de água mineral já está custando quase o mesmo preço do litro da gasolina.

* No século 20, enquanto a população mundial cresceu quatro vezes, o consumo de água cresceu sete vezes.

* As Nações Unidas estimam que dois milhões de pessoas já vivem com escassez de água.

Água de bicas e nascentes da cidade está contaminada

A tradição popular de pegar água nas bicas e nascentes da cidade remonta ao tempo da chegada dos suíços, quando as matas cobriam as montanhas de Friburgo. Acontece que hoje, nessas mesmas montanhas, existem bairros, favelas, indústrias e outras ocupações que modificaram o ambiente, destruindo a principal aliada de um água de qualidade e quantidade: as matas.

Ainda há um outro problema: em alguns desses locais, como a Casa dos Pobres São Vicente de Paula, os canos que levam a água até a fonte têm mais de 80 anos e já estão rompidos em muitos pontos, o que também prejudica a qualidade da água. A verdade é que as nascentes e bicas d'água onde o friburguense tradicionalmente se serve não são mais próprias para o consumo. Mas a população parece ignorar este fato e continua se abastecendo com esta água, muitas vezes sem sequer filtrá-la.

Desde 1999, a laboratório de química do Colégio Anchieta começou a coletar e a analisar amostras de água da bacia hidrográfica de Nova Friburgo - da nascente do Rio Santo Antônio até o Rio Bengalas na altura de Conselheiro Paulino - com o objetivo de levantar a qualidade das águas. O resultado não deixou margem a dúvidas: em 72% das análises feitas, a água estava contaminada com coliformes fecais; 24%, continham coliformes totais e apenas 4% podia ser considerada potável (ver quadro ao lado).

Em decorrência, muitas bicas onde a população pegava água estão sendo fechadas temporariamente pelo poder público. Foi o caso da tradicional Fonte dos Amores, localizada na Praça do Suspiro, que estava poluidíssima. O laboratório do Colégio Anchieta continua monitorando a potabilidade da água das bicas e nascentes da cidade, em caráter permanente.

Precisamos salvar nossos rios

A maior parte do esgoto de Friburgo é jogado no rio in natura, sem nenhum tratamento. Poucos prédios, conjuntos habitacionais, condomínios e casas são dotados de fossas, filtros e sumidouros. Assim como acontece em todo o país, aliás. Calcula-se que o Poder Público só consiga tratar e dar destino final de forma adequada a cerca de 6% de todo o esgoto produzido, devido ao alto custo de instalação das redes coletoras e das estações de tratamento. Além disso, muitas pessoas jogam lixo clandestinamente nas margens dos rios.

São alarmantes os efeitos da falta de saneamento básico nos municípios brasileiros. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 80% das doenças, 65% das internações hospitalares e 30% dos óbitos são causados pela ausência de cobertura sanitária. Em outras palavras, por água contaminada. Atualmente, 20 crianças com menos de sete anos morrem por dia, de doenças decorrentes da falta de saneamento básico.

A falta de saneamento representa uma das maiores dívidas sociais no país. Cerca de 88 milhões de brasileiros não contam com serviços de coleta de esgoto. Dos esgotos coletados, somente 10% recebem algum tipo de tratamento antes de seu despejo nos rios.

Estes índices, que representam uma vergonha nacional, poderiam cair para perto de zero se os recursos hídricos do país fossem devidamente tratados. O tratamento que um país dá a seus mananciais, a seus rios e a seu esgoto é um dos medidores mais precisos de seu grau de desenvolvimento e da qualidade de vida da população. Com apenas 4% da população atendida por serviços de tratamento de esgoto, o Brasil necessita com extrema urgência da regulamentação e consequente organização do setor de saneamento.

Enquanto este dia não chega, a população sofre, vítima de um cenário preocupante, com disseminação de valas negras, poluição dos rios, mares e lagoas, desperdício de água e um altíssimo índice de doenças que poderiam ser evitadas com o simples tratamento do esgoto.

Texto retirado de: www.biodiversityreporting.org